<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349</id><updated>2012-02-16T16:39:36.353-02:00</updated><title type='text'>pirâmide não invertida</title><subtitle type='html'>Para pessoas que não sabem o quê,nem quando, nem onde, nem mesmo o porquê de tudo o que acontece.(E nem querem saber)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-3312976448675488116</id><published>2009-08-08T18:34:00.007-03:00</published><updated>2009-08-12T12:15:56.458-03:00</updated><title type='text'>Kron_ib_us</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Uma viagem sob o risco do real&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já pensei em defender nesta pirâmide que o ônibus é o berço natural da crônica. Nele também embarcamos sob o risco do real, que pode nos oferecer a mais desgraçada rotina ou o relato mais próximo da ficção. A segunda opção melhor representa o que os passageiros da linha 5882 vivenciaram nesta tarde de sábado, véspera do Dia dos Pais. Rodoviária agitada, fila imensa, finalmente embarcaram. Durante a viagem, enquanto surpreendidos pelo inesperado, provavelmente pensaram nas histórias que iriam contar ao alcançarem o destino final. Eu de, escreverei. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Buscando abrigo no fundo do ônibus, me deparei com a primeira situação curiosa. Negro, alto, forte, vestido no melhor da moda Oiapoque, um rapaz de cara fechada e olheiras fundas ocupava dois assentos. Sentava no limite dos dois bancos, com as pernas exageradamente abertas e abrigava ao seu lado uma pequena sacola de plástico preto de conteúdo desconhecido (por isso, suspeito). Pela ordem natural do transporte público, salvaguardadas as preferências para idosos, gestantes, mulheres com crianças no colo e obesos, eu seria o mais digno de ocupar aquele assento, pois que mais próximo dele. Precisava apenas de um "dá procê redá um poquim pra lá", e talvez tudo se resolvesse. Mas a aparência "mal encarada" daquele sujeito, que propositalmente convocava quem fosse homem bastante para movê-lo dali me retraiu. Viajei em pé, contando apenas com a ajuda da jovem que se ofereceu para carregar minha mochila. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Metade do trajeto me ocupei de pensar o porquê de eu não conseguir pedir licensa para me assentar. Será a convicção de que seu desrespeito era óbvio? Será medo da cor, roupa, e feições de meu "adversário" que tornava preferível não exergá-lo - ele nem seus dois assentos? Será o saco preto? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas eis que alto, forte, branco, olhos verdes escondidos atrás dos óculos escuros, um homem simplesmente avança sobre o assento, retira-lhe o saco plástico, coloca-no sobre as pernas do rapaz abusado e se espreme no lugar. Já o havia observado impaciente antes. O outro aceitou o embrulho sem queixas. Novas questões:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu, baixo, magro, branco, óculos de grau, tendo feito o mesmo provocaria igual conformação? Ou ainda, quem foi mais violento? O homem o bastante para devolver o rapaz ao seu lugar, ou eu que o fingi ignorar? Neguei-lhe meu pedido de licensa por temê-lo ou por não considerá-lo digno de tal cortesia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ali, em seu devido lugar, ele nem parecia tão assustador assim. Ao contrário, o balanço do ônibus já lhe invocava um leve cochilo. Repouso também minhas reflexões. O ônibus acabara de encontrar um obstáculo na MG-010. Um caminhão-guincho retirava alguma coisa - que depois me pareceu um outdoor queimado - da beira do asfalto. Apenas carros passavam. O único retorno possível era adentrar o bairro Jardim da Glória, uma favela para quem desconhece seu nome de batismo. O motorista decide se arriscar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No bairro, os moradores se espantam com a passagem do ônibus lotado e desconhecido. Alguns, que bebiam em um boteco, avisam que não dá para retornar por ali. O motorista insiste. Um velho murmura um légivel "uai", as crianças acompanham o movimento do veículo, as donas de casa riem. Os passageiros começam a se sentir desconfortáveis. O ônibus se vê diante de uma ladeira muito íngrime que tanta subir, sem sucesso. Quem até então não estava se importando reclama. Uma menina que durante a viagem lia tranquila o "Amanhecer" - best-seller da série vampiro-mirim de "Crepúsculo" - se assusta: "Ai! Eu quero minha mãe!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os engraçadinhos aproveitam: "Ai motor, se eu for assaltado aqui no meio dessa favela cê vai ver!", outro mais espirituoso se queixa: "Ixi...Acho que peguei o ônibus errado". O burburinho aumenta. Uns pedem para descer, outros falam entre si, alguns riem, outros soltam gritinhos de sustos a cada deslize que o ônibus dá, ao morrer tentando subir as ladeiras. Na minha cabeça, só texto. Uma mulher, mais preocupada, eleva a voz em tom maternal: "Vamo ficá quieto! Desse jeito o motorista só vai ficar nervoso! Se alguém souber como é que sai daqui vai lá e faz então, uai!" e completa para o passageiro vizinho: "não é não?!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enfim, o ônibus decide voltar à rodovia obstruída. O caminhão-guincho terminara o serviço. Todos aplaudem. Alguns ligam para avisar do atraso. Nesse momento escuto a voz do rapaz que antes me "assustara". Durante aquele tempo havia praticamente me esquecido dele. Tudo o que escuto é uma voz pacata, de menino do interior e seus vários "sôs": "O ônibus vai atrasá, sô!", "cê já tá na casa dêl?", "vou praí então, sô!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tranquilo, começo a reparar na sombra do ônibus que lá fora se inclinou sobre o barranco coberto pelo capim-seco e rasteiro. Ora ela se aproxima, grande, tremendo. Ora se afasta, se estende longe, comprida no campo das fazendas às margens da rodovia. Em certo momento, parece que vai ultrapassar o próprio ônibus, mas logo se rende à condição de sombra e retorna ao ângulo reto que lhe prende ao cinza veloz do asfalto. O trajeto ordinário de não mais de cinquenta minutos durou mais de hora e meia naquela viagem até Lagoa Santa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-3312976448675488116?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/3312976448675488116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=3312976448675488116' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/3312976448675488116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/3312976448675488116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/08/uma-viagem-sob-o-risco-do-real-ja.html' title='Kron_ib_us'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-2800280302870233513</id><published>2009-07-17T13:11:00.007-03:00</published><updated>2009-07-17T13:47:20.500-03:00</updated><title type='text'>Meus fios</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;A longa história dos meus cabelos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359471299549006914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SmCqwFGFDEI/AAAAAAAAADE/NOFhl8nJaYU/s320/cabelo_masc3.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nos últimos meses, inicialmente por experimentação estética e posteriormente por pura falta de tempo, meus fios de cabelo atingiram proporções intoleráveis para uma família cristã-católica-provinciana-mineira. As manifestações de reprovação começaram tímidas, compreensivas, mas no último fim de semana, se voltaram firmes, odiosas, contra os fios inocentes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não descarto a aparência revolucionária, esquerdista, "terrorista", que meus cachos possam inspirar. Mas confesso, nenhuma das correspondências equivale à intenção. Porque não há intenção. Se meus cabelos cresceram, custa aos outros acreditarem a inexistência de uma razão ou de um porquê. Cabelos crescem, naturalmente. Se eles encolhessem, isso sim me surpreenderia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não, o que os surpreende se traduz em uma das perguntas - e vale dizer, conclusões - que fazem para mim (ou para si mesmos?): "Você deixou cabelo e barba crescerem porque quer virar jornalista?"Qualquer esforço em tentar dizer que não é inútil. A esposa de um tio comenta de seu sobrinho, jornalista, com livros publicados e tudo mais, que possui as mesmas formas capilares "espichadinhas". Ela conclui que é mal da profissão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um tio abusa da ironia. Diz que meus cabelos estão "lindos demaisss", para logo completar: "corta isso aí menino!". Meu pai tenta explicar. Diz que ainda não tomou nenhuma providência mais rigorosa porque o comprimento ainda está no limite do aceitável (suspeito que este limite seja tão comprido quanto eu o deixar chegar). Afirma que por enquanto o menino "não sabe o que quer da vida..." Escuto perplexo e indefeso. Qual espécie de lógica permite associar comprimento do cabelo a opções, notavelmente profissionais, de vida. Quer dizer então que cabelos aparados é sinal de compromisso com a vida? Impossível não pensar na dezena de atividades que exerço e que são totalmente relevadas pela discussão que se trava sobre meus fios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O esposo de uma tia, este calvo e redondo, também reclama. Na sua maneira tosca de brincar, ele maldiz esse cabelo "que não sabe se é de homem ou de mulher!"Começo a pensar se é mesmo o comprimento que os incomoda a todos ou se não seria o caráter crespo de meus fios. Lisos, meus cabelos incomodariam tanto? Estão longos demais, ou negros demais? Não sei mais onde começa e onde termina o preconceito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Raros perguntam, ou se importam, se estou bem. Se inquirem sobre os cursos é sempre o indispensável para, em alguma outra conversa, me citarem como exemplo de estudante. As Ciências Sociais, como ninguém sabe ou quer saber o que são, sempre é vista como um apoio ao jornalismo. "Isso vai te ajudar a trabalhar com televisão?", pergunta a esposa de um tio. Outra, desta vez uma prima, me toma como exemplo para seu filho que este ano tenta o vestibular: "O menino estuda de manhã, à tarde trabalha na favela, e à noite estuda também". O "trabalho na favela" trata-se, provavelmente, do Jornal da Rua, que outra tia, que me assisstiu em entrevista na TV Uni-BH, em que mencionei o projeto, deve ter divulgado entre os familiares.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta mesma tia me toca com sua admiração por ter me "visto na televisão". Só me pergunto se, caso não aparecesse na TV, o projeto de pesquisa que estaria desenvolvendo da mesma forma despertaria tamanho orgulho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando à raiz da questão, ou seja, meus fios capilares, penso. Tamanha reação desperta em mim uma vontade antes inexistente: a de não cortá-los. Eles adquiriram uma simbologia que agora envolve me submeter às vontades de meus familiares. Se antes, cortá-los ou não representava nenhuma diferença, hoje representa toda. Além disso, uma vontade de descobrir cada centímetro; a idéia de que me conheço da ponta de meus cabelos pra baixo e acima disso, descobertas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje reclamam do meu cabelo não curto, amanhã, do meu não casamento, dos meus não filhos, do meu não carro, da minha não casa própria. Sempre na tentativa obstinada de me prender ao mesmo "tic-tac" de seus relógios atrasados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-2800280302870233513?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/2800280302870233513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=2800280302870233513' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2800280302870233513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2800280302870233513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/07/meus-fios.html' title='Meus fios'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SmCqwFGFDEI/AAAAAAAAADE/NOFhl8nJaYU/s72-c/cabelo_masc3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-1097149708979287173</id><published>2009-03-07T18:59:00.006-03:00</published><updated>2009-03-07T20:07:53.494-03:00</updated><title type='text'>Roberto Scliar</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os leitores irão julgar se foi plágio ou inspiração.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Antes, um comunicado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não se espantem se as atualizações se escassearem. É que o autor decidiu que, antes de atualizar o blog, precisa atualizar a si mesmo. A decisão, desta vez, não é uma estratégia de marketing. É fruto de algumas conversas com amigos. A conclusão foi unânime: é preciso ler. Não somente eu, claro. Mas qualquer um que se atreva a escrever. E como é bom se refrescar em páginas profundas! Principalmente em um verão escaldante como o nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso não se preocupem! Esta pirâmide ainda está distante de qualquer interesse arqueológico. Está viva e desperta em seu autor. Este, por sua vez, saciará o apetite voraz de seus leitores – declarados ou não – com textos esporádicos. Confessa que desta vez aproveitou um pequeno exercício do curso de jornalismo. Mas nem por isso, menos divertido ou digno de estar aqui. Espero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310584211244194530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SbL8NBUCGuI/AAAAAAAAACM/sKBuc12G_aQ/s320/HSM.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;        Troy e Gabriella - ainda não é a versão inflável.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Sexta-feira, 06 de março de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ator Zac Efron, o Troy de "High School Musical", afirmou que ganhou muitas camisinhas da mãe no último Natal (...) “Ela comprou a caixa econômica", comentou o ator (...) O comentário veio após Efron dizer que, em especulações da mídia sobre uma suposta visita dele e da namorada, Vanessa Hudges, à um sex shop...”&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u530554.shtml"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u530554.shtml&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi com espanto que a mãe da pequena Rebecca, de apenas 7 anos, olhou para a filha que acabava de lhe pedir camisinhas de presente. Até então, o dia corria como de costume. Rebecca acordou às 8h da manhã, trocou o pijama do “High School Musical” pelo vestido do “High School Musical”, escovou os dentes com a escova e a pasta do “High School Musical”, tomou café na caneca e no pratinho do “High School Musical” e, antes de ir para a escola com a mochila e a lancheira do “High School Musical”, assistiu ao Disney Channel, vale dizer, ao programa do “High School Musical”. Nada de errado até aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquela manhã, a recém alfabetizada também decidiu se aventurar pelas páginas do jornal que o pai deixara espalhado sobre a mesa. Seu interesse havia sido despertado pela foto de Zac Efron – para quem não sabe, o ator que interpreta “Troy”, um dos protagonistas dos filmes “High School Musical”. Sílaba por sílaba, Rebecca decifrava as palavras que acompanhavam a imagem do “fofo do Troy”. Estas se iniciavam com algo como “Troy ganhou muitas camisinhas da mãe no natal...”. Pronto. Era o suficiente para a pequena reclamar com a mãe o presente que havia deixado passar na carta que enviara ao Papai Noel no último dezembro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A mãe encarou a filha, escandalizada. De onde a menina tirara aquele absurdo! Decidiu interrogá-la, podia estar se precipitando. Mas a menina parecia dominar o assunto: “é isso mesmo mãe! Eu li no jornal e sei que tem no Sex Shop e que vende daquela caixa que você sempre compra no supermercado, que tem escrito econômica, compra, vai!”. Desesperada, a mãe correu para o banheiro do casal e conferiu a caixa de preservativos do marido. De fato, estava escrito “econômica” no rótulo. Roxa de vergonha, atirou tudo na privada e, para descarregar a consciência, levou a filha ao “pet shop”, onde comprou a “camisinha” (do “High school Musical”) para a pequena poodle Lily. Tudo não passou de um erro de leitura da menina que confundiu, imaginem (!), “Sex” com “Pet”. Ou pelo menos era isso o que a mulher comentava, ao risos, com as amigas e o esposo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-1097149708979287173?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/1097149708979287173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=1097149708979287173' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/1097149708979287173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/1097149708979287173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/03/roberto-scliar.html' title='Roberto Scliar'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SbL8NBUCGuI/AAAAAAAAACM/sKBuc12G_aQ/s72-c/HSM.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-8159413888472271807</id><published>2009-02-19T17:11:00.004-03:00</published><updated>2009-02-19T17:30:38.939-03:00</updated><title type='text'>O vício da palavra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SZ2-RnfxVsI/AAAAAAAAAB0/zwK7i1t-PHU/s1600-h/aqueles-dois.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304605145981605570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SZ2-RnfxVsI/AAAAAAAAAB0/zwK7i1t-PHU/s320/aqueles-dois.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; "...&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;as palavras assumem corpos, iluminação e emoções..."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Até hoje, desconhecia completamente a obra de Caio Fernando Abreu e ainda hoje posso afirmar desconhecê-la. A exceção é o conto "Aqueles Dois" adaptado para os palcos pela Cia. de Teatro Luna Lunera, ao qual assisti recentemente. Com recomendações entusiasmadas dos amigos, cheguei preparado para um grande espetáculo que se cumpriu. Grandioso não quanto à cenografia, elenco ou trilha sonora, porque realmente não haveria de ser. Seu mérito está na interpretação esmerada de um olhar penetrante sobre as relações humanas, com o perdão do clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça é ambientada em uma repartição pública, onde quatro desconhecidos são empregados. Aos poucos eles começam a se conhecer após meses de cafezinhos e animadas conversas sobre cinema. A peça, até então marcada pela reprodução do clima agitado daquele ambiente de trabalho, com seus inúmeros telefonemas, papéis, gavetas, arquivos, departamentos e o incansável teclar das máquinas de escrever assume um novo ritmo à medida em que os quatro personagens iniciam o relato acerca do relacionamento entre dois dos colegas de trabalho, Raul e Saul. Desse momento em diante, torna-se impossível distinguir quem é quem, dentre os quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais instigante do que comentar atuação, direção ou a própria adaptação de "Aqueles dois" - tarefa que me declaro plenamente despreparado para exercer - é analisar a evolução da linguagem e do discurso na peça. A impessoalidade da repartição e a rigidez de seu aparato burocrático adentram os próprios personagens e o relacionamento que eles travam inicialmente. Envoltos em repetidos "Não há de que", "a seu dispor", "um momento, por favor", "Bom dia", "Boa tarde", "Bom fim de semana", os quatro homens não ultrapassam a função fática da linguagem. Esta só será rompida com o relato alternado entre os quatro personagens sobre o que aconteceu entre Raul e Saul. A terceira cede lugar à primeira pessoa do discurso, quando a riqueza de detalhes fornecidas pelos quatro narradores observadores não parece ser suficiente para contar o que realmente aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, as palavras assumem corpos, iluminação e emoções que vão se despindo ao longo dos atos. Até alcançarem a nudez completa, ou a escuridão total. Ao fundo do cenário, olhos sem pálpebras, sem íris podem ser facilmente preenchidos pelos olhos atentos da platéia, seus julgamentos, risos abafados, muitas vezes por pura e cruel identificação e, por fim, a decisão que lhes é legada quanto ao possível envolvimento amoroso entre Raul e Saul. Até que chega o momento em que o conforto da visão é confiscado pela ausência de luz, e o espectador é deixado sozinho. Só, então, ele percebe que Aqueles Dois são eles quatro. Ou nós todos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304605163037574098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SZ2-SnCOw9I/AAAAAAAAAB8/tn3cDeOoNWM/s320/olhos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"...olhos sem pálpebras, sem íris podem ser facilmente preenchidos pelos olhos atentos da platéia..."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-8159413888472271807?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/8159413888472271807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=8159413888472271807' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/8159413888472271807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/8159413888472271807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/02/o-vicio-da-palavra.html' title='O vício da palavra'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SZ2-RnfxVsI/AAAAAAAAAB0/zwK7i1t-PHU/s72-c/aqueles-dois.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-2837379452737009674</id><published>2009-02-03T17:27:00.004-02:00</published><updated>2009-02-13T12:14:22.399-02:00</updated><title type='text'>Nem aqui, nem Ali</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;No desjejum, um texto caudaloso e polêmico para eriçar as cordas vocais dos leitores.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298656609853717026" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 213px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SYicHPkbOiI/AAAAAAAAABs/SiY8uDH7eOY/s320/3170258667_1344304680.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi com alegria que subi as escadas do colégio naquele sábado de novembro de 2007 para transcrever no quadro a manchete do jornal do dia: "50% das vagas da UFMG para alunos de escolas públicas". A reação dos quase cinqüenta alunos, todos em ano de vestibular e estudantes do colégio privado considerado o melhor da capital não poderia ser muito diferente. "Isso é um absurdo", "Querem destruir a qualidade das universidades federais do Brasil", "eles não vão conseguir se manter lá dentro", essas eram algumas das exclamações disparadas de todos os cantos da sala. Raros, um ou dois além de mim - inclusive uma das leitoras oficiais deste blog - se manifestaram a favor da nova medida e ousaram ir além: "Não somos contra cotas raciais". Foi o suficiente para o discurso contrário se inflamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco mais de um ano depois, não foi com a mesma alegria que li "Não somos racistas - uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor", do diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. Ao contrário, foi com grande desconforto. Fiz questão de me livrar de qualquer preconceito quanto a origem do livro que pudesse ser em mim fomentado pelo círculo acadêmico, que muitas vezes trata com verdadeiro desdém qualquer assunto abordado pelos jornalistas. Ali Kamel não é um ignorante das questões sociais como alguns podem supor. E suas opiniões não são de todo descartáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Não somos racistas", ele tenta demonstrar o "despropósito" de se instituir cotas raciais no ingresso ao ensino superior brasileiro e defende, em contrapartida, a ampliação dos investimentos no ensino fundamental e médio. Lança mão de várias estatísticas e desconstrói algumas interpretações em vigor no decorrer de sua argumentação. Porém, já há algum tempo que eu aprendi a desconfiar dos números, principalmente em se tratando de uma questão de tamanha complexidade quanto as cotas raciais. A começar pela problemática da autoafimação (que fique bem claro que não defendo outro meio senão este para identificar a cor ou "raça" dos indivíduos). Mas é inegável a dificuldade de se medir cor (principalmente no Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes que eu começe a repetir essa multidão de argumentos já muito conhecidos por qualquer um que manifeste a mínima preocupação diante desse tema, é melhor partir direto para o confronto (de idéias, claro, uma vez que a segurança da Rede Globo é bastante reforçada). Ali Kamel fugiu, em suas 143 páginas de livro, de uma análise fundamental com relação a esse assunto, que é a análise histórica. Não estou falando, como costumam simplificar, de compensações, impossíveis ao meu ver, uma vez que os danos à comunidade negra inflingidos desde a captura na África ao açoite no Brasil são irreparáveis. Me refiro ao processo histórico que levou negros e pardos a assumirem as condições que, via de regra, assumem atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entusiasta da miscigenação, Ali Kamel não poderia ter omitido a História e tampouco a referência a pensadores sociais brasileiros que se dedicaram a estudá-la. Em uma opção muito mais política do que analítica, o autor critica, de fato, somente o pensamento de Fernando Henrique Cardoso, demorando-se um pouco mais em Oracy Nogueira e mencionando Florestan Fernandes e Carlos Hasenbalg, a quem acusa de fazerem uma "ciência engajada, a favor de negros explorados contra brancos racistas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, estranha-me muito o fato de um teórico da miscigenação, como Darcy Ribeiro, não merecer nem um pé de página do livro de Kamel. Quem, mais do que ele, pode ser apontado como autor de um texto apaixonado sobre "O Povo Brasileiro" e sua formação?(Gilberto Freyre, talvez, mas este é inclusive defendido por Kamel). É impossível negar que Darcy, assim como se pretende Kamel, era um admirador desse povo e de sua miscigenação. Porém, isso não lhe fez fechar os olhos ( muito pelo contrário) para algumas verdades, como fez seu aspirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kamel comete o impropério de questionar a posição de negros como inferiores a brancos no período anterior à Abolição, chegando ao cúmulo de afirmar que "a inexistência de intolerância racial tem raízes na nossa história. A verdade é que a escravidão não assentava sua legitimidade em bases raciais, pois era grande a mobilidade social dos escravos (...) uma vez alforriados, a cor não era impedimento para que os negros fossem aceitos como iguais pelos brancos e pudessem comparecer ao mercado de escravos, na condição de compradores...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "O Povo Brasileiro", Darcy Ribeiro descreve a triste e verdadeira "carreira" dos negros no Brasil. "...Introduzido como escravo, ele foi desde o primeiro momento chamado às tarefas mais duras, como mão-de-obra fundamental de todos os setores produtivos. Tratada como besta de carga exaurida no trabalho, na qualidade de mero investimento destinado a produzir o máximo de lucros, enfrentava precaríssimas condições de sobrevivência. Ascendendo à condição de trabalhador livre, antes ou depois da abolição, o negro se via jungido a novas formas de exploração, que embora melhores que a escravidão, só lhes permitiam integrar-se na sociedade e no mundo cultural, que se tornaram seus, na condição de um subproletariado compelido ao exercício de seu antigo papel, que continuava sendo principalmente o de animal de serviço." Será que é a isso o que Ali Kamel chama de "grande mobilidade social"? Ou ele prefere acreditar que os negros forros logo se tornaram senhores de escravos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso processo de abolição foi longamente calculado pelas elites latifundiárias (brancas) para excluir a massa trabalhadora escrava de possibilidades de ascensão. Primeiro, com a Lei de Terras (1850), as elites garantiram a falta de acesso à terra pelos futuros libertos. Em 1871, com a Lei do Ventre Livre, "os fazendeiros mandavam abandonar, nas estradas e nas vilas próximas, as crias de suas negras, que já não sendo coisa suas, não sentiam mais na obrigação de alimentar". Depois foi a vez dos negros velhos e enfermos serem expulsos das fazendas. "Numerosos grupos de negros concentraram-se, então, à entrada das vilas e cidades, nas condições mais precárias. Para escapar a essa liberdade famélica, é que se deixaram aliciar para o trabalho nas condições ditadas pelo latifúndio." As palavras de Darcy Ribeiro parecem ser ignoradas por Kamel, que prefere apontar a condição do branco opressor como invenção de pensadores brasileiros influenciados pela dicotomia marxista. E para isso, o autor ainda se utiliza das características peculiares do racismo no Brasil e de nossa composição miscigenada como modo de validar seu argumento de que aqui negros não foram nem são explorados pelos brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele não consegue, ou não quer entender, é que não é pelo racismo "escancarado" que os negros ocupam posições de inferioridade, nem pelas instituições constitucionalmente a-raciais, mas por um processo histórico que os apartaram, assim como aos pobres em geral, de uma democracia social, quanto mais de uma democracia racial. O fato de o preconceito no Brasil estar mais associado à classe do que á cor, e mais à cor do que a origem racial, uma das bandeiras de Kamel, também não é novidade nos estudos sobre a questão. Acontece que "não é como negros que eles operam no quadro social, mas como integrantes das camadas pobres, mobilizáveis todas por iguais aspirações de progresso econômico e social. O fato de ser negro ou mulato, entretanto, custa também um preço adicional, porque à crueza do trato desigualitário se acrescentam formas sutis ou desabridas de hostilidade', como nos lembra Darcy Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, Kamel ignora uma contradição que sustenta a sua defesa de que por sermos mestiços não somos nem podemos ser racistas e que fora anteriormente apontada por Darcy de forma sagaz. "A forma peculiar do racismo brasileiro decorre de uma situação em que a mestiçagem não é punida, mas louvada. Com efeito, as uniões inter-raciais aqui nunca foram tidas como crime nem pecado (...) Essa situação não chega a configurar uma democracia racial (...) porque a própria expectativa de que o negro desapareça pela mestiçagem é um racismo. Mas o certo é que contrasta muito, e contrasta para melhor, com as formas de preconceito propriamente racial que conduzem ao apartheid." Ousando mais ainda em sua análise, o autor de "O Povo Brasileiro" escreve: "É preciso reconhecer, entretanto, que o apartheid tem conteúdos de tolerância que aqui se ignoram. Quem afasta o alterno e o põe à distância maior possível, admite que ele conserve, lá longe, sua identidade, continuando a ser ele mesmo (...) Nas conjunturas assimilacionistas, ao contrário, se dilui a negritude numa vasta escala de gradação, que quebra a solidariedade, reduz a combatividade, insinuando a idéia de que a ordem social é uma ordem natural, se não sagrada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kamel parte de um princípio que nega essa contradição, segundo o qual uma nação mestiça está no topo do que considera como ideal civilizatório. No meio, estariam as nações multiétnicas, onde a mistura é evitada como "antinatural". E no degrau mais baixo, as nações que se orgulham de sua pureza racial, seja ela qual for. Sinceramente, não estou tão convencido assim quanto à eficiência dessa escala eminentemente valorativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver em uma "nação misturada, miscigenada, colorida, sem espaço para diferenças de raça" é com certeza também um objetivo para mim. Mas não é por isso que terei uma visão colorida de nossa realidade atual e passada. Kamel teme que estejamos jogando fora nossos ideais e nossa "tolerância", quando da defesa de ações afirmativas. Critica o movimento negro. Prenuncia o ódio racial. Eu penso diferente. Nossas características distintivas são justamente o motivo para pensarmos que aqui cores e credos podem, algum dia, se afirmarem sem vergonha. O problema é que "algum dia" é vago demais e ações precisam ser tomadas. Nesse ponto, algumas idéias se afinam à de Kamel. Os projetos sociais devem ser melhor acompanhados e terem seus focos de ação mais seguramente definidos. Os investimentos em educação devem ser maciços (embora para mim, a relação entre dinheiro para educação e dinheiro para assistência não é tão direta quanto Kamel deixa transparecer). A criação de cotas devem acontecer, porém, de forma acompanhada, tendo sua eficiência testada e as composições da população brasileira constantemente avaliadas. (Nesse ponto, assumo esbarrar em um valor talvez essencialmente moral, antes que racional - sem negar-lhe este conteúdo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, reconheço que as melhores intenções, sejam do diretor de jornalismo da Globo ou de um estudante e blogueiro, não são suficientes para determinar o território de custos e benefícios da política. Lá, ainda exercem o poder as mentes que quase sempre querem o melhor para si mesmas. E para as quais custo é sinônimo de voto, e benefício, de dinheiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-2837379452737009674?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/2837379452737009674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=2837379452737009674' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2837379452737009674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2837379452737009674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/02/nem-aqui-nem-ali.html' title='Nem aqui, nem Ali'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SYicHPkbOiI/AAAAAAAAABs/SiY8uDH7eOY/s72-c/3170258667_1344304680.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-9165807058773876561</id><published>2009-01-13T21:45:00.008-02:00</published><updated>2009-01-19T02:08:56.997-02:00</updated><title type='text'>RAPIDINHAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Remoendo a não correspondência e a viagem a São Sebastião, descubri que o poeta não é de ferro, mas sim de cobre.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não estranhe. Na tentativa de dinamizar um pouco as postagens de início de ano resolvi criar a seção rapidinhas - que não será nada fixa, aliás. A decisão foi tomada após uma longa conversa com os marqueteiros que assessoram esse blog e que me aconselharam a escrever de menos ainda que pense demais. (A decisão foi agravada após o índice zero de comentários do último post). Segundo eles [os marqueteiros], logo pesariam sobre mim acusações de comunista e anti-americano e que não pegariam nada bem para o meu futuro profissional. Aterrorizado, resolví ceder. Mas como meus escassos leitores - mais por seleção do que por desmérito meu - perceberão, a pirâmide continua não invertida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perdoem-me, mas os conduzirei novamente à minha breve passagem por São Sebastião há pouco mais de um mês. Ainda redundante - quanto ao tema e não quanto ao conteúdo - revelarei o que aconteceu após eu ter deixado a redação de piauí, na chuvosa manhã do dia 16 de dezembro de 2008. Visitei um conterrâneo, para atualizá-lo com a publicação. Ainda que lhe faltasse metade dos óculos, ele leu com moderado interesse. Antes que um turista gordo e seu pai se sentassem ao seu lado para encenarem o habitual papinho cabeça para a lente da câmera fotográfica, ele me pediu o exemplar. Cedi, não por pouco estimar a revista, mas por saber que outra idêntica me esperava em casa. Mas a sorte não brindou meu amigo, que foi vítima de mais um arrastão na orla de Copacabana e que não lhe poupou o presente. O pior foi que teve de assitir estático e de mãos e pernas cruzadas a essa perturbação da ordem. Por incompetência da polícia florestal e de alguns criadores (leia-se caçadores) de animais, os culpados não foram presos e ainda por cima foram vistos gorjeando tranquilamente no calçadão momentos depois do crime.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Óbvio que nada passou despercebido às minhas lentes atentas. Analisando as fotos posteriormente, percebí que já éramos observados por um dos criminosos (que aparece ao fundo da primeira foto) desde o momento em que líamos moderadamente a publicação. Observe na seqüência:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290934636632306370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 318px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SW0tBPpHcsI/AAAAAAAAABk/VNDINmJPTYE/s400/113.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290934633122020578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SW0tBCkMvOI/AAAAAAAAABU/YCj8a1bcCvY/s400/010.JPG+2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290934635591035842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SW0tBLw268I/AAAAAAAAABc/DsMDAHzy2CM/s400/011.JPG+2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-9165807058773876561?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/9165807058773876561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=9165807058773876561' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/9165807058773876561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/9165807058773876561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/01/rapidinhas.html' title='RAPIDINHAS'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SW0tBPpHcsI/AAAAAAAAABk/VNDINmJPTYE/s72-c/113.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-2310365414149597969</id><published>2009-01-07T16:17:00.007-02:00</published><updated>2009-01-07T16:26:22.229-02:00</updated><title type='text'>George Weak Bush</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Sem temer retaliações do pentágono, Roberto Romero desvenda o misterioso nome do meio do presidente dos EUA.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288618828723258082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SWTyze5-AuI/AAAAAAAAAA0/7y2PXOSQ4So/s320/0,,11983225-EX,00.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Na foto, Weak Bush posa de bom moço ao lado das autoridades israelense e palestina no final de 2008&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A Frase é ousada. Altera toda uma seqüência temporal para a qual fomos orientados. Mas se no ano de 2001 o mundo comemorou a entrada em um novo século, ao menos os estadunidenses se iludiram - e temo que talvez não tenham sido somente eles. O certo é que nossos vizinhos norte-americanos amargaram mais sete anos democraticamente ultrapassados. Só agora, há quase um decênio de século XXI, poderão eles se sentirem membros das promessas de um novo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acuso, obviamente, o presidente George W. Bush e seu governo irresponsável que chega ao fim no próximo dia 19. Se algum jornalista se arriscar a lançar um livro-balanço de sua atuação à frente dos Estados Unidos da América, realmente não consigo me lembrar de nenhum acerto a incluir. Certamente devem ter existido, ainda que raros, mas também não subestimo o alcance de minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi preciso um governo que arrasasse com a economia, a sociedade e a geopolítica do país, para que os americanos enfim arriscassem um passo em direção ao novo século. Mas é igualmente ilusório pensar que o mesmo avanço que levou um negro à presidência dos EUA será capaz de reverter oito desastrosos anos, cujo desfecho não poderia ser pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do ano passado, Bush se esforçou para convencer (a seu favor) memórias que assim como a minha fazem despencar sua popularidade. Pretendia deixar a Casa Branca como o presidente que levou paz e não guerra ao Oriente Médio. Me refiro às suas tentativas exaustivas e à forte pressão que exerceu sob Israel para assinar acordos com os palestinos. Suas atitudes nobres, entretanto, não foram suficientes para arrancar o brilho da vitória de Barack Obama nas eleições de novembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível, portanto, como o cowboy texano abandonou facilmente as rédeas do conflito palestino nesse inicio de 2009, há poucos dias de desmontar de vez de seu cavalo branco. Sua verdadeira omissão diante da situação explosiva que novamente sacrifica os que habitam a Faixa de Gaza já contribuiu com mais de 600 mortes e 3 mil feridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, sua secretária de Estado, Condolezza Rice, roda o mundo feito barata tonta tentando mostrar serviço. O máximo que conseguiu até agora foi o mínimo: que ajuda humanitária chegue aos flagelados de Gaza. Isso porque a concordância em cessar-fogo pelo líder da autoridade palestina, Mahmoud Abbas , não é muita coisa, uma vez que ele não exerce poder direto sobre o Hamas, grupo que ocupa Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ínterim, me impressiona (ainda) o escárnio nas atitudes de Bush que afirma cinicamente sua preocupação diante dos acontecimentos recentes. Arrisco imaginar seu sorriso amarelado cada vez que lhe vem à mente o que aguarda seu sucessor, aquele que lhe roubou a cena deixando somente a encenação. Uma crise econômica de efeitos mundiais, tropas guerreando no Iraque, mais um estopim no conflito entre israelenses e palestinos. Bush não demonstrou a mesma desenvoltura com que desvia de sapatos para lidar com esses problemas, que inclusive criou, e Obama terá mesmo de demonstrar muita raça se quiser convencer nossas memórias de que essas histórias possam ter um final feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-2310365414149597969?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/2310365414149597969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=2310365414149597969' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2310365414149597969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2310365414149597969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2009/01/george-weak-bush.html' title='George Weak Bush'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SWTyze5-AuI/AAAAAAAAAA0/7y2PXOSQ4So/s72-c/0,,11983225-EX,00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-2505845086801016806</id><published>2008-12-30T18:47:00.003-02:00</published><updated>2008-12-30T19:04:08.102-02:00</updated><title type='text'>10,9,8,7,6,5,4,3,2,1, já!</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Voltem para a Lua, que eu tentarei voltar &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;à Terra&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SVqLxFkO8eI/AAAAAAAAAAs/1pFlroXlUAo/s1600-h/artigos_img_artigo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 107px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SVqLxFkO8eI/AAAAAAAAAAs/1pFlroXlUAo/s320/artigos_img_artigo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285690788096700898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em 2009, assunto que será explorado à exaustão pela nossa mídia despautada, muito mais do que, em 2008, o sonhador e portanto desinteressante ano de 1968, será os quarenta anos da chegada de alguns homens ao nosso satélite natural - a Lua. O feito, que só não se tornou catastrófico porque os astronautas conseguiram regressar à Terra, é considerado um dos maiores da humanidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Há quem sustente, entretanto, que os nobres desbravadores da galáxia não regressaram senão de um estúdio escondido em algum lugar de Los Angeles. São vários os indicadores que os teóricos da conspiração assinalam no vídeo que foi exibido nos televisores das melhores famílias naquele 20 de julho de 1969. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Antes disso, entretanto, Hollywood já havia dado mostras de que, se fosse para ir ao espaço, teria feito bem melhor do que aquilo e com um orçamento muito menor do que os incríveis US$20 bilhões mobilizados por empresas e trabalhadores americanos a fim de que a missão Apolo 11 atingisse a superfície lunar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um ano antes, Stanley Kubrick encantava o mundo com um espetáculo de imagens inigualável em "2001: uma odisséia no espaço". A genialidade do diretor deu origem a uma sátira poderosa das relações entre homem e máquina e de seus perigosos desdobramentos em um futuro próximo. À medida em que a nave, controlada por um computador "infalível" e obstinado, e seus cinco tripulantes (três deles em estado de "hibernação induzida") avançam em direção ao misterioso planeta Marte, o filme se envolve em um clima de tensão que poucos, além de Kubrick, conseguem criar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas muito antes disso, remontando o próprio surgimento do cinema, no ano de 1902, "Viajem à Lua", do diretor francês Georges Méliès já alimentava a curiosidade de seus privilegiados espectadores. O curta metragem inspirado na obra "Da Terra à Lua"(1865) de Júlio Verne, retrata a viagem de aventureiros que seguem até a Lua - que possui contornos antropomórficos -&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;à bordo de uma bala lançada por um gigantesco canhão e retornam à Terra, ou melhor, ao fundo do oceano, onde os tripulantes descobrem os "segredos do mar" e de suas criaturas fantásticas. Ao chegar em Paris, todos são recebidos como heróis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Antes de ser explorada pela sétima arte, entrentanto, a Lua e o "luar" já despertava o fascínio de músicos, escritores e poetas. Quando, devido à chegada de alguns homens em solo lunar, tamanho encanto se viu ameaçado, o cantor e compositor brasileiro, Gilberto Gil, conclamou: "Poetas, seresteiros, namorados, correi/É chegada a hora de escrever e cantar/Talvez as derradeiras noites de luar(...)/E lá se foi o homem conquistar\os mundos lá se foi/Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi/Nos jornais manchetes,sensação,/reportagens, fotos, conclusão:/A Lua foi alcançada afinal, muito bem/ confesso que estou contente também." Mas o final da canção é desolador: "A mim me resta disso tudo uma tristeza só/Talvez não tenha mais luar para clarear minha canção/O que será do verso sem luar?/O que será do mar, do violão?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" face="arial" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Enquanto ainda resistem lua e luar, celebremos a chegada de mais um novo ano. Brindemos e aguardemos as edições especiais "40 anos do homem na Lua". Consigo emergir até a mente de muitos editores para descobrir as dúvidas, não suas, mas "de seus leitores". "Detalhes da missão que levou o homem à Lua", "40 anos depois, descubra os planos da NASA para voltar ao nosso satélite", e coisas do tipo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Enquanto isso, dentro de uma sala da Agência Espacial Norte Americana, cientistas planejam os próximos saltos gigantescos da humanidade. Aliás, se aquela transmissão televisiva de julho de 1969 foi realmente uma obra de ficção, seus roteiristas mereceriam um prêmio. A frase "um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade", pronunciada pelo astronauta - ou ator? - Neil Armstrong entrou para o hall das "inesquecíveis". Em segundo lugar na corrida das frases espaciais: "A Terra é azul", do soviético Yuri Gagarim. Poucos se lembram do segundo trecho da frase: "e eu não ví Deus". &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Mas, afinal, quem precisa se lembrar dele?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-2505845086801016806?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/2505845086801016806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=2505845086801016806' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2505845086801016806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/2505845086801016806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/10987654321-j.html' title='10,9,8,7,6,5,4,3,2,1, já!'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SVqLxFkO8eI/AAAAAAAAAAs/1pFlroXlUAo/s72-c/artigos_img_artigo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-6237223227644063753</id><published>2008-12-25T19:13:00.008-02:00</published><updated>2008-12-25T20:09:29.302-02:00</updated><title type='text'>Da janela, o corcovado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um musical infanto-juvenil, um sanduíche de glúten à milanesa, um sarau literário, um certo Chico Buarque de Hollanda...Tudo acontece no Leblon. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283843254373355106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SVP7ceHEjmI/AAAAAAAAAAk/kUHKJSfTr04/s320/017.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando cheguei ao Rio de Janeiro, a primeira parada foi no Leme, localizado em um dos extremos da praia de Copacabana. A chuva havia concedido algumas horas de trégua e os amigos que gentilmente me levaram de carro até a cidade paravam ali para encontrar com a senhora que os hospedaria na Tijuca. Alguns minutos mais tarde e eu reencontrava uma amiga do tempo de colégio em frente ao posto seis da mesma praia. Porém, seria longe dali, no telenovelísticamente conhecido bairro do Leblon, onde eu viveria as maiores surpresas desta viagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ricardo Maia, também amigo dos tempos nem um pouco remotos do colégio estreiava seu musical no Teatro Leblon naquela mesma semana. Dele partiu o convite e a hospedagem para que as incredibilidades prenunciadas dias (e posts) antes de fato se concretizassem. A estréia foi um sucesso e a curiosidade do jovem ator, cantor e dançarino o fez assistir à apresentação do segundo elenco, formado pela mesma escola de musicais em que estuda - a Catsapá. Como minha entrada se mostrou dificultada e o interesse pela apresentação do segundo elenco reduzido, preferi permanecer do lado de fora do Teatro Leblon, me divertindo entre os livros, CD's e DVD's da livraria "do Conde".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um momento de desatenção, porém, e eu entrava em um pequeno restaurante vegetariano, bem ao lado do teatro. No cardápio, despertou especial interesse o "sanduíche de glúten à milanesa". Como quase tudo o que vejo nas prateleiras dos supermercados "não contém glúten" e eu nunca soube ao certo o que isso era, resolvi pedir. O pedido chegou acompanhado de alguém inesperado (Não. Ainda não foi o Chico). Era uma mulher alta, que vestia um sobretudo preto, e trazia um cachecol enrolado no pescoço, sob o volumoso cabelo castanho escuro preso no alto da nuca. Uma figura minimamente excêntrica em vésperas de verão carioca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O nome, não menos curioso, é Cristina Terra, jornalista e poeta. Residente do Jardim Botânico, ela fora trazida naquela noite até o Leblon por um compromisso literário: um sarau que se iniciaria dentro de poucos instantes, na já mencionada livraria do Conde. Ela passou um tempo me convencendo de que eu deveria visitar o "Refeitório Orgânico", em Botafogo, no dia seguinte. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A conversa foi mais ou menos assim: "Como você se chama?" - "Roberto" (...) " Como você se chama mesmo?" - Roberto (...) "Mas Alexandre, você tem que conhecer o refeitório!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Levantou, pagou e saiu, com Maiakovsky na bolsa e o cachecol no pescoço. Ah! Não sem antes me perguntar como andava Belo Horizonte, cidade que visitou ainda na época em que a Feira Hippie era na Praça da Liberdade. Terminei o delicioso sanduíche de glúten à milanesa (era delicioso mesmo) e caminhei alguns passos até o segundo piso da livraria, onde uma turma composta por homens, mulheres e algumas crianças, recitava poemas, a maioria de autores estrangeiros, e discutiam suas respectivas traduções para o português. Os versos atravessavam a sala, vindos cada hora de um canto e faziam rodopiar a poltrona giratória em que se divertia uma garotinha. Meus pensamentos já estavam longe quando meu amigo, Ricardo Maia, "finalmente" me encontrou. Despedi-me de Cristina com os tradicionais dois beijinhos cariocas e saí. Ricardo não entendeu nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No dia seguinte, me preparava para assistir novamente ao musical, mas desta vez com o elenco do Ricardo. Caminhava pelas ruas do Leblon, indicando o caminho, quem diria, para uma mineira que mora no Rio há três meses e que deixou o abrigo entre as montanhas para ser guia turística na cidade maravilhosa. Qual não foi minha surpresa ao alcançar a portaria da sala Marília Pêra, no Teatro Leblon, e dar de cara com uma silhueta alta e magra, cabelos grisalhos, pele enrugada, olhos intesamente azuis, Chico, Buarque! Assisti à peça inquieto. Era o grande cantor e compositor da música popular brasileira. A trilha sonora viva de todo o país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;"Chico, tira uma foto comigo". Ele concordou com um gesto e respondeu o agradecimento com o mesmo. Não disse um A. Não precisava. Era o Chico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As gotas de chuva se perseguiam no vidro da janela do ônibus que me trouxe de volta à cidade natal. Ora distraído, ora sonolento, dividi minhas sete horas de viagem entre cochilos, músicas e piauí (na capa da edição especial de natal, um coelho de cuecas no lugar do papai noel). "Muitas histórias pra contar...", já dizia a letra da música interpretada pela bela voz de minha amiga Marcela Pieri. Já era noite quando o ônibus parou na rodoviária de Belo Horizonte. Tudo o que precisava era de um bar que me acolhesse.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-6237223227644063753?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/6237223227644063753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=6237223227644063753' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/6237223227644063753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/6237223227644063753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/da-janela-o-corcovado.html' title='Da janela, o corcovado'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SVP7ceHEjmI/AAAAAAAAAAk/kUHKJSfTr04/s72-c/017.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-4742218061066857356</id><published>2008-12-20T17:57:00.004-02:00</published><updated>2008-12-20T18:34:19.209-02:00</updated><title type='text'>Uma consoante, quatro vogais</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Após a tradicional edição de segundo aniversário, piauí abre as portas e revela os segredos de sua redação. Tem até João Moreira Salles de bigode.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281966989069140338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SU1Q_dLOQXI/AAAAAAAAAAc/5pAWPx1JGgs/s320/piau%C3%AD.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Com 35cm de comprimento por 26,5cm de largura, não há dúvidas em apontar "piauí" como uma das maiores revistas do país. Suas formas avantajadas não cabem em bolsas de mulher, tampouco em planilhas publicitárias e, entre suas páginas, as gravuras se apertam para ilustrar o enorme volume de textos. Na opinião treinada de um marqueteiro, ambos os projetos gráfico e editorial da revista certamente não levariam a publicação a lugar nenhum. Ledo engano.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na Glória desde sua estréia, em outubro de 2006, mais precisamente no 4º andar do número 270, Rua do Russel, piauí já colhe os louros de quem, ainda que contra a corrente, acerta uma empreitada. Engana-se, no entanto, quem pensa que a Glória é difícil de ser alcançada. A menos de 100m da estação do metrô que recebe o mesmo nome do antigo bairro do Rio de Janeiro, a sede da revista e uma de suas editoras, Dorrit Harazim, abriram suas portas e agendas, respectivamente, para me receber às 11h da manhã chuvosa da última terça-feira, dia 16 de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Com um gravador, caneta e papel nas mãos e a voz embargada pelo nervosismo de um iniciante, dei início à entrevista que foi praticamente conduzida pelos 35 anos de experiência de Dorrit na profissão. A senhora jornalista foi a primeira mulher brasileira a ser enviada para a cobertura da Guerra do Vietnã e também dirigiu a série de documentários "Travessias", produzidos pela Videofilmes e exibidos no canal GNT.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sobre a piauí, ela fala do impacto inicial, quando nem eles mesmos, os criadores, sabiam o que iria lhes reservar o futuro. Primeiro porque "ninguém entendia o porquê de piauí, sem ser piauí." Foi preciso bastante tempo para que os leitores entendessem que fosse "justamente para isso: para nada." A sonoridade da palavra de origem indígena, a indagação que ela provocava acerca da identidade final da revista, e o fato de o estado do piauí ser um dos mais, senão o mais desconhecido pelos brasileiros, tendo sido inclusive esquecido por um mapa do IBGE, tudo isso se somou para que o nome prevalecesse para a revista que nascia para ser o "piauí da imprensa brasileira."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Porém, se o Estado do piauí continua amargando o esquecimento de parte das autoridades e da população do país, com a revista homônima o resultado foi surpreendente. Dorrit atribui algumas razões para isso. Primeiro que a revista atravessa várias gerações, o que não era esperado inicialmente. "Imaginávamos, que pelo número de letrinhas, os leitores seriam mais próximos da minha geração e a geração imediatamente anterior. O que aconteceu, e que pegou de surpresa, foi a paixão afetiva, declarada, sem grilo, da garotada universitária. Isso é uma coisa que não se consegue através de marketing. Acontece, felizmente." Um segundo motivo seria o elemento lúdico que envolve a publicação e que parte mesmo de suas capas, que propositalmente não dizem nada a respeito do conteúdo da revista. "A idéia da capa é que o leitor não saiba o que está comprando. E queremos, idealmente, que ele tenha algumas surpresas com os temas e as maneiras como foram contados."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Surpresas não faltam em meio à média mensal de 75 páginas que compõem a piauí. A não ser a "chegada" e a "despedida", nada é fixo na publicação. Os colaboradores, nacionais e internacionais, variam de edição para edição. "Nós não temos o compromisso burocrático com a revista de cumprir um roteiro básico quando não há conteúdo que mereça ser publicado. A seção diário, por exemplo, só é fixa enquanto nós acharmos que naquele número cabe novamente uma seção com estas características. Em determinado mês, eventualmente, nós vamos dizer não e vamos fazer uma edição inteira só com uma matéria", afirma a editora, deixando transparecer o clima de independência que envolve a produção da revista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Concluída a entrevista, Dorrit se levanta para apresentar o restante da redação. Ela é pouco mais alta do que eu e os cabelos grisalhos não chegam a lhe atingir os ombros. Sobre o nariz, ela concerta os óculos de tempo em tempo. Parece tê-la surpreendido o interesse de um grupo de pesquisa mineiro sob a seção de cartas da piauí, que segundo ela é "um espelho, um retrato, de um conjunto de pequenas manias e brincadeiras nossas na redação." O espaço relativamente pequeno ocupado pela redação cria um clima propício para a troca de idéias entre a equipe. Em uma das paredes, a foto de João Moreira Salles, documentarista e "publisher" da revista, recebe um atraente bigode pichado à mão, o que reforça a poderosa hierarquia que governa a publicação. Na entrada, pingüins de todos os estilos, tamanhos, cores e materiais dão boas vindas aos visitantes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na sala de reuniões, onde Dorrit me recebeu, uma mesa com vários assentos, uma prancheta grande apoiada em um tripé e uma estante com livros, periódicos nacionais e internacionais, e três troféus em forma de pingüins, um dourado, um prateado e um em tom de cobre, disputam a atenção com os diversos quadros pindurados na parede branca, e que contêm as capas de cada edição da revista, pensada inicialmente para existir durante curtos dezoito meses - "tempo calculado para saber se a empreitada ganharia fôlego." Na mesma parede, os parafusos ainda à espera de uma capa indicam a intenção piauiense de atender à prece de todo bom leitor: "Vida longa à piauí!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-4742218061066857356?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/4742218061066857356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=4742218061066857356' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/4742218061066857356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/4742218061066857356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/uma-consoante-quatro-vogais.html' title='Uma consoante, quatro vogais'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/SU1Q_dLOQXI/AAAAAAAAAAc/5pAWPx1JGgs/s72-c/piau%C3%AD.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-1709073291744073156</id><published>2008-12-15T02:32:00.005-02:00</published><updated>2008-12-15T12:21:48.011-02:00</updated><title type='text'>Viagens Reais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Madonna provou que nem tudo que é doce se derrete na chuva.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;"Ainda que chova...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;O show tem que continuar". A frase, muito mais trágica traduzida do inglês "though it's raining, it has to go", dita por Madonna em um momento do show foi o espírito incorporado por 75 mil corpos molhados que assistiam à rainha do pop debaixo da chuva insistente que caiu nesta noite no Rio de Janeiro. Ela ainda emendou: "porque se o show não continuar, vocês ficarão aqui", sem dispensar a pretensão a que a coroa lhe dá direito. Mas essa história não começa aqui.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Há 200 anos, aportava em São Sebastião do Rio de Janeiro, a família real portuguesa. A transferência da corte teve profundas implicações nos futuros desdobramentos políticos e culturais do país, entre eles, e talvez o mais importante: a independência. 160 anos após a chegada de D. João VI a estas terras, chegava a rainha Elizabeth II da Inglaterra, no ano de 1968. Enquanto esteve aqui, Elizabeth foi capaz de estabelecer uma trégua ao ambiente tenso evocado pela ditadura militar. Após seu retorno a Buckingham, as máscaras voltariam a cair entre as autoridades brasileiras e seria oficialmente decretado o fim dos direitos individuais, através do Ato Institucional nº 5.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;A transferência do reino do pop para o Brasil neste dezembro de 2008 ocorreu sem maiores agitações. O máximo de teor político que pode ser extraído de duas horas de aparição da rainha do pop, Madonna I - e para muitos, única - foi um clipe com flashes de líderes mundiais, crianças e mulheres de países pobres da África e Oriente Médio. Ao som de uma versão remixada das músicas "Beat goes on" e "Give it to me", as fotos pertubadoras eram exibidas como "get stupid", enquanto a rainha conclamava "It's time...Your world, your life, your choice" - tudo isso nos telões, claro, porque a verdadeira estava ocupada trocando de roupa. O clipe termina com a imagem vitoriosa de Barack Obama.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Antes e depois disso aconteceu tudo aquilo o que vocês já sabem e podem ler em qualquer endereço mais próximo e mais acessado do que o meu na internet. Mas outros detalhes merecem comentários. Madonna esperou a chuva para começar o show. (pediu desculpas pelo atraso). Foi acompanhada por um segurança com um guarda-chuva preto enorme toda vez que deixava a parte coberta do palco (com exceção de alguns momentos de maior euforia, que exigiriam do segurança malabarismos que nem mesmo a sombra da diva são capazes). Quando supostamente ela cantaria o que o público pedisse - e o público pediu "Like a virgin" - a rainha preferiu cantar "Express yourself". A justificativa foi um pouco embolada, ela disse que não gostava daquela música e corrigiu rapidamente "na verdade eu gosto, mas escolham outra". (lição: expressem-se, ainda que não sejam acatados).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Todo o resto se seguiu impecável. Quando a arquibancada mal acostumada do Rio de Janeiro entoou "Mêêêngo...", Madonna, sem entender nada, improvisou um "Êêêa...Êêêô" e continuou compondo as frases que iniciaram esse texto. Maria Joaquina teria dito, ao deixar o Rio de volta à Portugal, que nem nos calçados queria como lebrança a terra do Brasil. Elizabeth II e seus interesses comerciais foram um pouco mais modestos e inclusive desfilaram em um Rolls Royce pela Avenida Atlântica. Madonna I hospedou-se no sexto andar do Copacabana Palace Hotel de onde saiu apenas para o ensaio, no Maracanãzinho, e o show, no Maracanã. Chegou ao palco à bordo e um Kadillac. Durante sua passagem pelo Brasil, não beberá desse país nem a água.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Game over.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-1709073291744073156?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/1709073291744073156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=1709073291744073156' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/1709073291744073156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/1709073291744073156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/madonna-provou-que-nem-tudo-o-que-doce.html' title='Viagens Reais'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-1650910213908654220</id><published>2008-12-11T19:26:00.002-02:00</published><updated>2008-12-11T20:04:32.886-02:00</updated><title type='text'>Je ne regrette rien</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Como em 7h e 35min, e há quase 100h da apresentação, o jovem Roberto Romero se tornou uma dentre as 75 mil pessoas esperadas para o show de Veronica no Rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;ram sete horas da manhã quando meus olhos, ainda sonolentos, se despertaram ao perceberem que o carro já havia estacionado em frente à Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG. As copas das árvores agitadas pelo vento e a voz de uma faxineira contando para a amiga as últimas peripécias de Flora, vilã da novela das oito, eram os únicos sons que se escutavam nos semidesérticos corredores da FAFICH. A expectativa pelo último encontro com o mestre Hinojosa, renomado professor de Estatística, durou até às 8h, quando ele chegou e encontrou, além de mim, dois empolgados estudantes de Ciências Sociais. Por um momento, enquanto o professor aguardava a chegada de seu público e aproveitava para relatar suas opiniões desinteressantíssimas sobre sociologia, o assunto entre o pequeno grupo, agora enriquecido pela presença de mais três alunos, era Madonna Louise Veronica Ciccone e sua turnê musical pelo eixo Rio-São Paulo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Com passagem marcada para as 14h do dia seguinte para São Sebastião do Rio de Janeiro, conjeturei a possibilidade de ir ao tão festejado show, que pode ser o último da cantora em terras brasileiras. A chance encontrava-se espalhada pelos murais do prédio, e a apenas R$200 de mim – não pensem que considero isso barato, mas diante das circustâncias... Mas o assunto estava encerrado. Não enfrentaria, sozinho, horas na fila da ave-solene (Maracanã, em tupi-guarani), ainda que a recompensa fosse doce e pegajosa. O relógio marcava pouco mais do que 9:30 da manhã, quando uma reviravolta aconteceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Arial;font-size:20;"  &gt;I&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;sabela Chimeli tem 21 anos e alguns livros na bagagem, o que me permite considerá-la uma pessoa de opiniões sensatas. Em um breve comentário que fiz sobre a insanidade que seria ir ao show sozinho, ela respondeu: “Por que você não vai com a minha irmã? Ela viaja sábado de manhã e acho que tem espaço no carro. Quer que eu ligue para ela?”. Em menos de vinte minutos e três telefonemas, eu estava prestes a me tornar mais um dentre as 75 mil pessoas que são esperadas no Estádio para a apresentação de Veronica, a rainha do pop. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Arial;font-size:20;"  &gt;M&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;ais de um milhão de pessoas andam, comem, compram ou dormem no centro de Belo Horizonte diariamente, mas muito provavelmente somente uma entrou no Shopping Cidade às dez para três da tarde para encontrar com o garoto que lhe venderia o ingresso para o show de Veronica. Um telefonema, e o trânsito na Av. Raja Gabaglia atrasaria o encontro marcado para as 15h. A solução foi me afastar da pista onde adolescentes e crianças brasileiros exibiam suas habilidades deslizando no gelo, uma das atrações do verão local, e entrar nas Lojas Americanas para me distrair, conferindo os últimos lançamentos em CD e DVD do melhor natal do Brasil. Os 15 minutos que demorei na fila do caixa para pagar um compact disc de Edith Piaf em “La vie en Rose”, que no início deste ano disputou as atenções com Veronica e seu “Hard Candy”, foram suficientes para que uma calça preta com camisa listrada e um ingresso da renner para o show chegassem ao centro comercial. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;As peças descritas por telefone vestiam um garoto alguns centímetros mais alto do que eu e de nome pouco usual: Lucas. Ele pediu que entrássemos novamente nas Lojas Americanas para efetuarmos a troca. De dentro da mochila, ele tirou um envelope e de dentro do envelope, o ingresso. Lucas explicou detalhadamente todas as informações que estavam contidas no bilhete ao passo que eu, já nervoso, temia que algum louco e fã de Veronica me perseguisse pelas ruas do centro atrás da preciosidade. Lucas, entretanto, e não lhe nego a razão, parecia muito mais preocupado com a possibilidade de um são e não necessariamente fã da cantora, tipo muito mais fácil de se encontrar nas ruas do centro, lhe roubar os R$200 e a chance de um intercâmbio, para o qual está economizando sonhos como o de assistir à material girl.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A próxima parada foi à esquina entre Rio de Janeiro – a rua – e Caetés, onde esperei por Ricardo Lima, um dos fãs loucos de Veronica que freqüentam a região central da cidade, mas que não representava perigo devido à recente amizade que acredito partilhar com ele. Lima, ou laranja – fruta ou cor pela qual prefere ser chamado – estava com um artigo essencial para minha ida ao show e à São Sebastião: minha câmera fotográfica. Clique. Só faltava ir à estação rodoviária mais próxima – o que não era difícil, já que em Belo Horizonte só existe uma que ainda está localizada no centro – e trocar a passagem do dia seguinte por uma de retorno, já que a ida estava garantida com a irmã de Isabela Chimeli. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Arial;font-size:20;"  &gt;À&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;s cinco horas e cinco minutos desta mesma tarde, Roberto Romero chegava em casa exausto, porém satisfeito com as realizações do dia. Em menos de 100h, terá vivido incredibilidades, prometidas por uma viagem que já começa surpreendente. Ouvindo um dos companheiros de casa arranhar algo no violão na sala ao lado, o autor se lembra das 38 páginas de um texto que ainda tem que resumir. As comemorações, assim como novos relatos, terão de ficar para mais tarde. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-1650910213908654220?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/1650910213908654220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=1650910213908654220' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/1650910213908654220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/1650910213908654220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/je-ne-regrette-rien.html' title='Je ne regrette rien'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-5889570937960236196</id><published>2008-12-11T19:21:00.003-02:00</published><updated>2008-12-11T20:20:21.167-02:00</updated><title type='text'>Merry christmas à brasileira</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ela garante a melhor energia do Brasil, e o maior dos meus pesadelos de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O papai Noel acaba de chegar ao prédio da Cemig ao som de “We wish you a merry christmas”, confirmando o nacionalismo exarcebado da estatal mineira. Para mim, que moro a menos de 30m de distância do imponente prédio que pode ser visto de quase toda a região central de Belo Horizonte, a chegada do Papai Noel na Cemig e a conseqüente ativação da iluminação do prédio e das árvores da Av. Barbacena confirmam a chegada de mais um Natal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;No ano anterior, e disso me lembro bem, o tema natalino da empresa era o aquecimento global. Ursos polares, de meia em meia hora, se encaminhavam até o papai Noel com um único pedido: que ele os salvasse do aquecimento que tem destruído seus lares no pólo norte. Para os animaizinhos terem descido até os trópicos em pleno verão para fazer este pedido, é porque a coisa devia estar realmente feia por lá, não? (Isso porque, como reza a lenda, o papai Noel habita aquelas regiões nos outros 364 dias do ano, ou melhor, 363, porque em outro ele está na Cemig)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Mas chega de espoliar as causas nobres da melhor energia do Brasil. Sentado em frente ao computador, aguardo ansioso para descobrir o tema com o qual a Cemig irá brindar a mim e aos meus companheiros de casa, Júlia e Walmir, no natal deste ano. No momento, o coral mirim de algum lugar do interior de Minas Gerais se apresenta, embora eu só esteja escutando o som desafinado de uma tuba (coisa de quem se recusou, por preguiça, a atravessar a rua e assistir ao espetáculo). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Os aplausos já se fazem audíveis. Em breve o mestre de cerimônias anunciará: “...”. Mas não, o show tem que continuar e a banda – ou coral mirim, já não sei mais – prossegue sua apresentação com uma das músicas temas do nosso natal: “Ainda ontem chorei de saudade”. Enfim o mestre de cerimônias se pronuncia para anunciar a apresentação de um grupo de dança, que infelizmente está fora de meu alcance visual narrar para os leitores. (Posso apenas informar que houve problemas de som e que a música interpretada pelas bailarinas foi outro clássico do natal brasileiro: “Garganta” de Ana Carolina).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não resisto e corro até a janela do meu quarto para ver se o prédio já está iluminado e qual é a minha decepção quando percebo que ainda não. De fato seria incoerente a empresa acender suas luzes às 18:30 em pleno horário de verão, cujo objetivo é justamente manter as luzes da cidade apagadas até esta altura do dia. Logo me conformo. Prossigo escutando as performances musicais que agora alternam entre uma legítima canção flamenca e um autêntico hip e hop, o que confirma as disposições multiculturalistas da estatal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;No entanto, a inércia com que a programação do evento é cumprida acaba me desmotivando de continuar com a cobertura. Chegaria na redação do jornal e simplesmente diria que “não dava matéria”. As palmas agora são esparsas e o som distante de uma flauta relembra que tudo aquilo ainda se trata de uma comemoração natalina. Ansioso por saber o tema que irá suportar este ano, porém vencido pelo cansaço, o autor do texto se despede. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 150%;" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;* * *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Às 19:43 minutos, a voz animada do mestre de cerimônias convocou a platéia a iniciar a contagem regressiva e a mim para retornar ao computador. Em dez segundos, as luzes de natal contagiaram a agitada Av. Barbacena ao som de “Aleluia” – quanta espirituosidade! Até o fechamento deste post, não foi possível perceber se os ursos polares voltaram esse ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-5889570937960236196?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/5889570937960236196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=5889570937960236196' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/5889570937960236196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/5889570937960236196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/merry-christmas-brasileira.html' title='Merry christmas à brasileira'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2276815173878334349.post-7126429146972221502</id><published>2008-12-05T16:57:00.001-02:00</published><updated>2008-12-05T20:05:06.238-02:00</updated><title type='text'>Romero presta explicações</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/STmCGIrkJoI/AAAAAAAAAAU/unUiYGuO6ds/s1600-h/multidao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/STmCGIrkJoI/AAAAAAAAAAU/unUiYGuO6ds/s320/multidao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276391480362280578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ao digitar o domínio “blogspot.com” na pesquisa avançada do Google, são registradas 316 milhões de ocorrências. O número, que provavelmente não é tão exato assim, é digno de espanto. No mínimo, esconde um certo aviso de que “não precisamos de mais ninguém”. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Imagine então dividir uma redação com 316 milhões de pessoas? De todas as origens, nacionalidades, inspirações... Algumas nitidamente toscas e outras estritamente sérias. Dos últimos atentados terroristas em Mumbai a relatos intendiantes de suas vidas pessoais, lê-se de tudo nos blogs. Alguns atingem o brilho da fama, outros permanecem esquecidos até que, por fim, seus próprios autores se esquecem deles. Surgem classificações, conceitos, pré-conceitos... Aos poucos o grupo dos que mantêm um blog adquire consciência de classe: “somos blogueiros”. Se tanta gente dá conta de tantos assuntos, é ao menos razoável se perguntar “por quê mais um blog?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Bem, voltando à pesquisa avançada do Google e acrescentando a palavra “pirâmide”, sem a expressão “Egito”, as ocorrências caem para 142 mil. Tudo bem, o número ainda é alto. Mas se procuro pela expressão “pirâmide não invertida” com as palavras “Roberto”, “Romero” e sem a expressão “Egito”, nenhuma ocorrência é registrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:100%;" &gt;Esse me parece motivo suficiente para inaugurar este blog.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2276815173878334349-7126429146972221502?l=piramidenaoinvertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/feeds/7126429146972221502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2276815173878334349&amp;postID=7126429146972221502' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/7126429146972221502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2276815173878334349/posts/default/7126429146972221502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramidenaoinvertida.blogspot.com/2008/12/roberto-romero-presta-explicaes.html' title='Romero presta explicações'/><author><name>Roberto Romero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16710726711103786755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3Ol7P33HAWY/STmCGIrkJoI/AAAAAAAAAAU/unUiYGuO6ds/s72-c/multidao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
